quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Servidores públicos preparam seus filhos desde a adolescência para prestar concursos.

Ingressar no serviço público há muito tempo não é uma tarefa fácil, em especial nos mais concorridos e se já não bastasse as cotas criadas pelo governo, agora são os filhos dos servidores que vêm com tudo e muito bem preparados para concorrerem com os tradicionais concurseiros. Conhecedores dos benefícios, estabilidade e status que o serviço público oferece, servidores preparam seus filhos desde a adolescência para prestar concursos. Esse é um fenômeno que deverá se intensificar nos próximos anos indicando de como será ainda mais acirrada a batalha por uma vaga nesse segmento.

No papel de pai, o servidor também funciona como uma espécie de coach, passando para seu filho as experiências que teve, além de acompanhar de perto o passo a passo da preparação, municiando com dicas preciosas que ajudam a entender a mecânica de seleção dos melhores certames. As aulas de balé, teatro, música, sapateado, dentre outras, que tradicionalmente ocupavam a preferência dos pais nas atividades extraclasse de seus filhos, devem dividir espaço com mais essa novidade.

Pelo andar da carruagem, além das cotas, teremos que conviver também com as castas. Embora não tenha nada de ilegal nisso, podemos ver que, assim como na política, a perpetuação de parentes de servidores no serviço público, muitas vezes dividindo a mesma repartição, será muito comum. O serviço público está aberto a todos que se enquadrem nas regras dos editais e somente o candidato mais preparado consegue ocupar a vaga, o que não significa que o aprovado seja o mais indicado para a função.

Acabou a era do servidor por vocação, embora haja muitos que ainda possuem esse perfil, o que eu vejo é que muitos só estão interessados em quanto vão receber. Outro dia eu vi um comentário numa rede social que corrobora com essa perspectiva, quem o fez, dizia que não via a hora de ser aprovado num concurso para poder curtir férias viajando mundo a fora com a polpuda remuneração que receberia. Não vi a pessoa dizer que gostaria de ser aprovada para fazer a diferença, por exemplo. O que a pessoa fará com o que vai receber quando estiver trabalhando é uma das consequências do trabalho executado e viajar nas férias para qualquer lugar que seja está merecidamente entre elas.

Por: Valdeci Teófilo Ribeiro